domingo, 30 de janeiro de 2011

80% DE APROVEITAMENTO

Ontem eu me senti a pessoa mais corajosa do mundo. Muitas pessoas já me disseram que é seguro andar a noite na cidade, mas quando a gente vê ruas desertas e escuras - sendo que vc está andando sozinha nelas - da sim um pouco de medo. Mas aí, de repende vc vê uma velhinha andando sozinha também na rua, ou um grupo de umas 3 adolescentes, um ou dois caras e o medo vai passando devagar. Alguns restaurantes e supermercados estavam abertos e isso também ajuda muito.

Depois ainda é preciso mais um pouco de coragem pra sair a noite sozinha. Entre as opções daqui da cidade que vi na internet, eu fiz um plano A e um plano B: um show de rock progressivo que acontecia em um atelie. No subsolo dessa casa tinha um lugar tipo a obra, daí de BH, onde acontecia uma Festa temática: Depeche Mode. O primeiro não cobrava entrada e o segundo 3 euros. Cerveja alemã a 2,00. Tá bom, né?

O show no atelie parecia uma festa de família: todo mundo parecido e todo mundo se conhecia. Tinha várias pessoas, casais, geralmente, lá pelos 50 anos, e uma família com 2 crianças de mais ou menos uns 8/10 anos. Mas a maioria era mesmo gente com mais de 25 e menos de 35 anos. A banda é fantástica, rock progressivo com qualquer coisa beeeeem grunge, beeeem anos 90. Ao vivo é milhões de vezes melhor que em estúdio (vc pode ouvir as músicas e baixar o CD no site da banda http://www.madventuretheband.com.de/). Ah, e essa é pro Rafael: o baixo é de 5 cordas, tá?). Quanto ao lugar, uma casa velha, sem aquecimento com essas luzinhas emboladas no teto.
O show nem foi pequeno, mas como começou cedo, acabou antes da meia noite. Ou seja, na hora do povo começar a chegar na "Obra" (chama Genesis, o lugar aqui).
Nossa, sobre esse lugar, eu não sei nem como começar. Putz, sabe aquelas crianças com capas pretas que de vez em quando a gente vê na savassi a noite? Bom, acho que elas sonham em ser como o povo que eu vi lá. Mas, um pequeno detalhe: só gente com mais de 30 anos. Muitos com mais de 40. Cara, trombei no banheiro com uma mulher de uns 45, com uma capa longa de veludo vermelho sangue, com textura de teias de aranha em preto. Tinha um sujeito de cabelo raspado, só com uma franja preta toda jogada pro lado e um casaco de pelos, todo volumoso, preto, sem camisa e calça de couro. Se eu fosse descrever todos que me chamaram a atenção, ia precisar de umas 2h. Só tive coragem de pedir pra tirar foto do bar:

Isso me deixou impressionada: não eram punks, não eram emos, não eram metal. ERAM GÓTICOS DOS ANOS 80, como the cure, siouxie and the banshees, etc. As músicas eram velhas conhecidas minhas, em maioria. Mas de vez em quando rolava qualquer coisa bem bizarra cantada em alemão. Nossa, o povo parado já era um espetáculo. Agora, imagina só quando eles dançavam? O negócio era tão sério, que eu não tinha coragem nem de rir. De qualquer forma, depois de duas cervejas eu também dancei bastante: ninguém nem ia reparar em como eu dançava ou no fato de eu estar sozinha. Isso me fez sentir muito bem.
Bom, lá pelas 2:30, fui embora confiando no que me disseram de que o metro funciona a noite inteira na Alemanha. O caminho até o metro era longo, uns 8 quarteirões, que pareceram 18 por causa do frio. Cheguei no ponto, descobri que funciona, mas os intervalos entre um metro e outro são maiores. Ou seja: 23 min. até meu metro chegar. Tá bom que tinha aquelas casinhas de vidro corta-vento, mas foi duro ficar esse tempo todo parada no frio. Só pensava em chegar em casa, ligar o aquecedor no máximo e me enfiar debaixo das cobertas de roupa e tudo. Demorou um tempo até eu conseguir pegar a máquina pra tirar umas fotos do lugar enquanto eu esperava.
Essa foto aí em cima está salva no meu computador com o nome "Felicidade em 5 min".

Essa rua é o epicentro comercial da cidade, chega a ser esquisito ver essa calma toda num lugar que eu sempre vi cheio e movimentado. Esse lugar é quase em frente à feira de rua que eu fotografei num post passado.

Apesar da calma, tanta luz acesa.
Enfim, cheguei, dormi igual a uma pedra e acordei feliz por causa do café da manhã. Tava a fim de provar este cereal. Depois dos travesseiros de nutella, queria que esse fosse bom, mas não tanto ao ponto de eu não conseguir parar de comer, como aconteceu com os travesseiros. Eu achava que Müsli era meio que o nome alemão pra granola. Mas o princípio é o mesmo daquele crocante de aveia com casquinha de laranja e castanha do pará que eu faço em casa, sabe? Não é uma mistura de grãos, mas alguns cereais crocantes, integrais. Bom isso ia ser bem fácil de comer civilizadamente - se não fosse por um detalhe. Esse müsli é de caramelo. Na semana antes de vir pra cá falei pra minha mãe que tinha desistido de encontrar o gosto de Supligem. Putz, nem acreditei quando coloquei a primeira colher na boca.

Ah, e essa pra Roberta: "fettarme", significa que o leite é (bom, pelo menos pro povo aqui) pobre em gorduras. Ou seja, "a opção light" porque leite desnatado eu ainda não vi aqui. Mas se der pra clicar na foto e ver ampliado, repara só o valor calórico do copo: 117 kcal. Isso é o quase o mesmo que um leite integral da itambé. Tá vendo o percentual de gordura? "1,5% Fett" Pois é, o leite integral que eu comprei antes era 3,5% Fett, aquele copinho pequenininho do leite pra misturar com o café, é 10% Fett.
Bom, chega de blog por hoje. Até a próxima!

Um comentário:

  1. Passeio bacana!
    Carlos comentou algo interessante: Com o frio daí, necessariamente para um bezerro sobreviver ele precisará de gordura. É, na verdade, bastante lógico que o leite daí seja tão gorduroso.
    Beijão!!!

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